| |
|
Fighter Magazine: Como são ministradas as aulas de Artes Marciais no BOPE?
Fábio Almeida: As aulas são ministradas em módulos, de acordo com as atividades externas
das equipes de serviço. São aplicados treinamentos físicos operacionais de defesa pessoal, com
ênfase em tomada de arma de fogo e de arma branca. Também são criadas situações em que o
combatente possa ser submetido, tanto em serviço quanto na sua folga. São ministradas aulas de lutas de chão (Jiu Jitsu e Submission) visando o aperfeiçoamento de torções e imobilizações, e de lutas de contato (Muay-Thai e Kickboxing) visando aprimorar o auto-controle e fazer com que o policial conheça os seus limites físicos.
F.M.: Desde quando as artes marciais estão sendo praticadas dentro do Batalhão?
F.A.: Desde sua criação, em 19 de dezembro de 1978. Mas foi à partir do ano de 2000, que o Cabo Félix introduziu o MMA (Mixed Martial Arts), e os policiais passaram a dar mais ênfase a essa modalidade.
F.M.: Quais são as modalidades que os senhores praticam?
F.A.: Oficialmente temos aulas de Jiu Jitsu, Muay Thai e MMA (modalidades praticadas pelo nosso instrutor, Cabo Félix). Mas, como há muitos praticantes de artes marciais em nosso Batalhão, existe sempre uma troca de conhecimento entre nós. Temos o Cabo Gasco, contra-mestre de Capoeira; o Cabo Yuri, instrutor de Taekwondo; o Cabo Rodrigues, professor de Karate; o Sargento Roberto, professor de Judo e Jiu-Jitsu, que já foi campeão nas Olimpíadas da PMERJ (Polícia Militar do Rio de Janeiro); e eu, ministrando o Hapkido Sungjado.
F.M.: O dojo é patrocinado por quem?
F.A.: Nosso Dojo (Dojang ou Tatame, como preferir) foi patrocinado pelos Irmãos Nogueira (Minotouro e Minotauro), e por meio deles a Pretorian doou materiais de treino.
F.M.: Existem projetos sociais para a Comunidade dentro do Batalhão?
F.A.: Sim. Existe um projeto social para crianças da Comunidade Tavares Bastos, que conta com o apoio da SUDERJ (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro), e que recentemente também recebeu a ajuda da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), que doou vários kimono com o símbolo do BOPE. As crianças tem treinos de Jiu Jitsu e Muay Thai. Nas competições de Jiu Jitsu, os adolescentes são isentos da taxa de inscrição e ainda trabalham na montagem das áreas de combate do evento e como mesários, recebendo ainda uma remuneração pelo serviço.
F.M.: Quem são os instrutores? Eles são militares também?
F.A.: Os instrutores são o faixa preta 2º dan de Jiu Jitsu Gilsom Fernado (Instrutor do projeto Suderj e diretor de arbitragem da FJJE) e o CB-Félix (instrutor do BOPE, grau preto de Muay-Thai, faixa preta de Kickboxing, faixa preta de luta livre Submission e faixa marrom de Jiu-Jitsu)
F.M.: A prática das artes marciais influencia seu dia-a-dia e ajuda a realizar suas missões?
F.A.: Com certeza, sim. Quanto maior for seu “leque” de conhecimento, maior será sua confiança e o bom desempenho de uma ação. As artes marciais ajudam muito a ter um bom preparo físico, um ótimo reflexo e uma agilidade ímpar.
F.M.: Em quais situações o treinamento marcial ajuda no desempenho das missões? Desarmamento? Combate corpo-a-corpo? Silenciamento de sentinela? Imobilizações? Fale sobre isso.
F.A.: Pra ser sincero, em uma missão do BOPE, dificilmente serão usadas habilidades marciais em combate, pois 90% de nossas missões são contra marginais da lei altamente armados. Porém, técnicas de imobilização e condução são de suprema valia para os nós. Muitas vezes, quando estamos incursionando um território hostil, deparamo-nos com elementos suspeitos, que devem ser revistados, mas devido a alta periculosidade do local, o indivíduo deve ser retirado daquele local para um outro mais seguro, para salvaguardar sua vida, e então seja feita a revista pessoal. Em contra-partida, nossa vida policial continua mesmo quando não estamos fardados, pois somos policiais 24 horas por dia. É nessa hora que as técnicas de desarmamento de arma de fogo e combate corpo-a-corpo podem ser fundamentais para o policial. O treinamento em si, é ótimo para qualquer combatente, e isto resume-se duas frases que temos conosco: “Treinamento duro, combate fácil”; “Suor derramado em treinamento, poupa sangue derramado em combate”.
F.M.: As competições em que você participa ajudam a manter a boa imagem do BOPE perante
a população? F.A.: Sim. Nos campeonatos de Hapkido que participei, uma coisa que ficou muito notória, foi a alegria de confraternização que existe na família Hapkido no Brasil. Apesar de todos estarem querendo mostrar suas técnicas e almejarem títulos em suas modalidades, imperava entre nós um forte sentimento de amizade. Com isso, tive a oportunidade de conhecer excelentes pessoas, como o Mestre Clóvis Botelho, da Bahia; O Mestre Renato, que faz parte do quadro de Bombeiros de Minas Gerais e ministrante de cursos da SWAT; o Mestre Carlos, também de Minas Gerais; dentre muitos outros. Foi gratificante saber, por meio deles, que somos considerados como verdadeiros heróis. Em nossas conversas, pude falar um pouco mais do que sabe-se apenas pela mídia, ratificando sempre o lema do BOPE: LEALDADE, DESTEMOR E INTEGRIDADE! E tenho certeza que eles tem repassado isso aos seus amigos e familiares.
F.M.: Quais foram seus títulos?
F.A.: Dentre os campeonatos que tive a honra de participar, destaca-se o 1º Campeonato Brasileiro da ISA (International Sungjado Association), no qual fui Campeão em minha categoria de luta e defesa pessoal; e o 6º Campeonato Mundial de Hapkido pela WOHF (World Olympic Hapkido Federation), o qual fui Vice-campeão em defesa pessoal e 3º colocado em luta. |
|
|